7 de setembro de 2016

Resenha: Sangue Quente

Titulo: Sangue Quente
Autor: Isaac Marion
Ano de Lançamento: 2011
Paginas: 256
Editora: LeYa

Sinopse: R é um jovem vivendo uma crise existencial - ele é um zumbi. Perambula por uma América destruída pela guerra, colapso social e a fome voraz de seus companheiros mortos-vivos, mas ele busca mais do que sangue e cérebros. Ele consegue pronunciar apenas algumas sílabas, mas ele é profundo, cheio de pensamentos e saudade. Não tem recordações, nem identidade, nem pulso, mas ele tem sonhos. 
Após vivenciar as memórias de um adolescente enquanto devorava seu cérebro, R faz uma escolha inesperada, que começa com uma relação tensa, desajeitada e estranhamente doce com a namorada de sua vítima. Julie é uma explosão de cores na paisagem triste e cinzenta que envolve a "vida" de R e sua decisão de protegê-la irá transformar não só ele, mas também seus companheiros mortos-vivos, e talvez o mundo inteiro.
Assustador, engraçado e surpreendentemente comovente, Sangue Quente fala sobre estar vivo, estando morto, e a tênue linha que os separa. 


Minha Avaliação:

Resenha: Zumbis não são muito comuns na literatura, e os poucos que encontramos são narrados a partir do ponto de vista dos humanos tentando sobreviver, Sangue quente é o oposto, é narrado por um dos zumbis, nos mostra como é a vida deles, a forma como interagem e se organizam quando sentem fome, vemos que os zumbis são as vezes mais organizados e podemos dizer que até mais unidos do que os vivos.

“Quando o mundo inteiro é construído com horror e morte, quando a existência é um estado constante de pânico, é difícil ficar preocupado com uma coisa só. Os medos específicos se tornam irrelevantes. Nós o substituímos por um cobertor sufocante muito pior”.

Sangue Quente se passa em um mundo destruído por uma “praga” que transformou a maior parte do mundo em zumbis. R, que é um zumbi, não lembra de nada de sua vida anterior, como ele morreu e nem mesmo o seu nome.

“Estou morto, mas isso não é tão ruim. Aprendi a conviver com isso. Desculpe não me apresentar da forma correta, mas não tenho mais um nome.”

Em uma caçada em grupo, eles encontram alguns humano e R acaba se alimentando do cérebro de Perry, que é o namorado de Julie, que R encontra encolhida e com medo, e R deseja proteger ela ao invés de devora-la, ele então a leva para o aeroporto a mantendo segura dos outros mortos-vivos.

“Comer não é uma coisa prazerosa. Mordo e arranco fora o braço de um homem. Odeio os gritos, porque não gosto da dor, não gosto de machucar as pessoas, mas agora é assim e é isso que temos que fazer.”

Julie no começo sente medo dele, alem de ter que superar a morte do namorado, mas logo percebe que R quer apenas protegê-la, e ela terá que confiar sua vida a ele, então passa a tentar compreender R, e aos poucos os dois começam a se aproximar e descobrindo que eles tem muita coisas em comum.

Sangue Quente tem um ponto de vista bem diferente do normal. Amei ver o apocalipse zumbi pelo ponto de vista de um zumbi. O autor nos dá uma visão muito clara do que é ser um zumbi, o que se passa na cabeça deles.

Essa é a primeira vez que me encantei por um personagem zumbi, R tem personalidade, ele quer mudar, ele quer evoluir. O autor foi fantástico na forma como escolheu nos contar a história de R pelos olhos e pensamento do próprio personagem, que passa a ser um zumbi, e a ligação entre R e Julie parecem tão forte e humanamente que as vezes acabei esquecendo que R é um zumbi.

“Vamos lutar contra a maldição e quebra-la. Vamos chorar, sangrar, desejar e amar. Vamos curar a morte. Nós seremos a cura. Porque queremos ser.”

A leitura é rápida e muito envolvente, narrado em primeira pessoa, pelo ponto de vista de R, as metáforas usadas são simples e profundas ao mesmo tempo. A capa chama atenção, o titulo está em auto relevo e a imagem passa o clima apocalíptico. As situações criadas pelo autor são bem legais e criativas e me arrancou algumas gargalhadas, e mais do que isso, me fez gostar e torcer por R.


Um comentário: