17 de março de 2016

Lançamentos de Março da Editora Companhia Das Letras


Lançamentos de Março


O inglês Geoff Dyer é conhecido pela capacidade de transcender gêneros - é autor de romances que podem ser lidos como não ficção e de ensaios que parecem pura imaginação. É esse escritor sem fronteiras que encontramos novamente neste livro. Dyer relata aqui a experiência de passar duas semanas num porta-aviões norte-americano. Em 45 pequenos capítulos, escritos no estilo elegante e divertido que o tornou célebre, Dyer descreve cada aspecto da vida num navio de guerra - os marinheiros encarregados de administrar freezers gigantescos de comida processada, a academia de ginástica repleta de oficiais obcecados por musculação, o bloco prisional ocioso, que transforma os vigias em verdadeiros cativos obrigados a supervisionar celas vazias. É um cotidiano completamente oposto aos hábitos do autor. Alto, magro, incapaz de andar no convés sem se curvar, é também, em suas próprias palavras, um ranzinza cheio de restrições alimentares, com aversão a motores, ruído e combustível, e disposto a infernizar a tripulação até conseguir uma cabine privativa - luxo impensável a bordo de um porta-aviões. Ainda assim, seu relato é leve e generoso, cheio de curiosidade e respeito pelo trabalho incansável dos tripulantes: consertar aviões, lançá-los ao céu e recebê-los quando voltam da missão. Um inglês típico frente a um mundo profundamente americano, com suas constantes incitações ao sucesso e à superação, Dyer registra com brilho o cotidiano no navio. O porta-aviões é a representação de uma sociedade em que disciplina, conformidade, dedicação e otimismo se transmutam em formas de identidade.

"Mais um dia magnífico no mar" deixa claro por que Geoff Dyer tem sido largamente celebrado como uma das vozes mais originais - e engraçadas - da literatura contemporânea.





Luiz Ruffato ocupa um lugar único na literatura brasileira. Seu Eles eram muitos cavalos marcou época e hoje, mais de uma década depois de sua publicação, tornou-se um romance cultuado, que registrou numa prosa moderna e incomum as muitas vozes da cidade de São Paulo. O projeto Inferno provisório, saga composta de cinco volumes, tem poucos paralelos nas nossas letras: ambicioso, vasto e singular, acompanha por décadas a trajetória de vários personagens de classe média baixa. De mim já nem se lembra trata de assuntos caros ao autor: a família, o tempo, a memória. Mais uma vez, Ruffato irá transformar um pequeno episódio familiar em oportunidade para falar de seu país e de sua sociedade. Ao abrir uma pequena caixa encontrada no quarto da mãe falecida, a caixa na qual ela “abrigara seu coração esfrangalhado”, o narrador se depara com um maço de cartas cuidadosamente atadas por um cordel. Escritas pelo irmão, vitimado por um acidente automobilístico, e dirigidas à mãe, essas cinquenta cartas reconstituem um passado: ao mesmo tempo que ilustram as mudanças políticas, econômicas e culturais durante a ditadura militar brasileira, convidam o leitor a espreitar a memória de uma família com “olhos derramando saudades”.
Neste livro, o autor recupera a antiga tradição do romance epistolar, transfigurando-a - em vez de uma troca de correspondência ordenada cronologicamente, em De mim já nem se lembra há apenas uma voz, no espaço e tempo imprecisos da ausência.



Historiador reconta a história do Holocausto e argumenta que tragédia pode se repetir.

Neste épico de extermínio e sobrevivência, Timothy Snyder apresenta uma nova explicação sobre o Holocausto e revela os riscos que corremos no século XXI. Com base em novas fontes e testemunhos, "Terra Negra" descreve o extermínio de judeus como um evento mais compreensível do que gostaríamos de admitir, e por isso mais aterrorizante.
O início do século XXI se parece com o início do século XX na medida em que preocupações crescentes com alimentos e água acompanham desafios ideológicos à ordem global. Nosso mundo se aproxima do de Hitler, e preservá-lo pede que encaremos o Holocausto como ele foi. Inovador e envolvente, Terra Negra revela um Holocausto que não é apenas história, mas também advertência.




Neste romance que valeu a Thomas Mann o prêmio Nobel de Literatura de 1929, Mann mostra quatro gerações de uma família alemã - síntese de toda a burguesia do século XIX, que, obcecada por interesses materiais, vai perdendo o dinamismo. A consciência do declínio vai-se aguçando a cada geração, até se tornar desesperadora para os últimos descendentes.

"Os Buddenbrook mostram também como Thomas Mann encarava o conflito entre o artista, que ama a vida e o amor, e a sociedade burguesa, que o vê como um ser ocioso. Para situar esse problema, Mann criou duas personagens contrastantes: Christian, filho do Cônsul Buddenbrook, é um artista diletante, preso aos laços burgueses; Hanno, sobrinho de Christian, e tido como projeção do autor, é o verdadeiro artista, que, para criar o belo, renuncia à hipocrisia dos padrões sociais."


Depois de publicar Ulysses, James Joyce disse que a receita para se tornar imortal era simples: bastava manter os críticos literários ocupados por décadas a fio. Foi a partir dessa ideia que Caetano Galindo, cuja tradução do Ulysses venceu os prêmios Jabuti, APCA e da Academia Brasileira de Letras, pensou neste guia. O leitor vai conhecer melhor os passos de Bloom, Stephen e Molly naquele 16 de junho de 1904, mas também irá aprender sobre a própria natureza do romance e mais dezenas de assuntos que povoam essas páginas. Irá, sobretudo, ter um contato privilegiado com a leitura de um dos maiores especialistas em Joyce no Brasil, uma leitura calorosa, erudita e, mais que tudo, surpreendente. 


Em 23 cartas enviadas entre 1969 e 1997 a seu amigo e confidente Germán Arciniegas, a artista plástica Emma Reyes relata as adversidades que viveu durante sua infância na Colômbia. Emma era filha ilegítima e, nesta autobiografia epistolar, conta desde suas lembranças mais antigas até o momento em que deixou o convento onde passou sua juventude, sem ao menos saber ler. Estes textos não só expõem um belíssimo relato pessoal, mas também descrevem o contexto da sociedade colombiana na década de 1930. Emma Reyes foi vítima de uma sociedade hipócrita e do mundo sombrio das comunidades religiosas, mas isso não impediu que ela construísse uma reconhecida carreira artística na França quando adulta.


Depois do cultuado Só garotos, a lendária cantora e escritora Patti Smith volta à sua odisseia pessoal em Linha M, que ela chama de um mapa para minha vida . O livro começa no Greenwich Village, o bairro que tanto marcou sua história. Todos os dias a artista vai ao mesmo café e, munida de seu caderno de anotações, registra suas impressões sobre o passado e o presente, a arte e a vida, o amor e a perda. Num tom que transita entre a desolação e a esperança e amplamente ilustrado com suas icônicas polaroides , Linha M é uma meditação sobre viagens, séries de detetives, literatura e café. Um livro poderoso e comovente de uma das mais multifacetadas artistas em atividade.


Antes de ser executado, o condenado Jean Lenoir confessa ao comissário Maigret que foi testemunha de um crime seis anos antes — e que acaba de descobrir o paradeiro do assassino: a Gafieira de Dois Tostões, um bar ordinário à margem do rio Sena. Em pleno verão, em meio à insistência de Madame Maigret para que o comissário saia de férias, Maigret segue a pista do condenado e se vê envolvido num emaranhado de intrigas que ainda vai custar um punhado de vítimas.



Em narrativa memorável, uma jovem norte-coreana conta como escapou de uma das mais sanguinárias ditaduras do planeta.

Yeonmi Park não sonhava com a liberdade quando abandonou a Coreia do Norte. Mas sabia que fugir era a única maneira de sobreviver à fome, às doenças e ao governo repressor.
Este livro é a história da luta de Park pela vida. O leitor acompanha sua infância no país mais sombrio do mundo. Em seguida, testemunha sua fuga, aos treze anos, pelo submundo chinês de traficantes e contrabandistas. Emociona-se com seu périplo pela China através do deserto de Gobi até a Mongólia, guiada pelas estrelas, em direção à Coreia do Sul. Vibra com seu papel como ativista pelos direitos humanos.
Antes dos 21 anos, Yeonmi acumulou experiência suficiente para encantar todas as gerações de leitores neste livro memorável.


"Depois de uma tempestade em Nova York, fatos estranhos começam a ocorrer. Um jardineiro percebe que seus pés não tocam mais o chão. Um quadrinista acorda ao lado de um personagem que parece um de seus desenhos. Ambos são descendentes dos jinn, figuras mágicas que vivem num mundo apartado do nosso por um véu. Séculos atrás, Bunia, princesa dos jinn, apaixonou-se por um filósofo. Juntos, tiveram filhos que se espalharam pelo mundo humano. Quando o véu é rompido, tem início uma guerra que se estende por mil e uma noites — ou dois anos, oito meses e vinte e oito noites. Mais uma vez, Salman Rushdie cria uma obra-prima sobre os conflitos ancestrais que permanecem no mundo contemporâneo. "

Depois de presenciar a morte da testemunha ocular de um crime tenebroso, a vida do repórter João nunca mais foi a mesma. A jovem que assistiu à tortura e ao assassinato brutal dos pais, para depois ser abusada de todas as maneiras, deu fim à própria vida diante dele após relatar cada detalhe perturbador do que vivera. A partir deste terrível episódio, o jornalista irá seguir todas as pistas que possam levá-lo a um possível grupo racista que vem cometendo as piores atrocidades contra imigrantes, negros, judeus, nordestinos, gays e quaisquer pessoas que eles considerem impuras. Mas a única pista que ele tem são os cadarços verde e amarelo que eles usam nos coturnos.


9 comentários:

  1. Faz tempo que não me interesse por nenhum livro da editora, mas gostei dos lançamentos desse mês.

    PS: Adorei o novo layout! Quando entrei, pensei que estava no blog errado! rs

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  2. Não teve muitos que chamaram atenção, mas esse Memoria por correspondência tem um boa sinopse, gostei dele.

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  3. Olá! Uau, só lançamentos bons! Eu amo os livros da Editora, já vou adicionar os livros nos desejados.
    Beijos

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  4. Quanta coisa boa hein rs
    Quero Para Poder Viver, amei a capa e a sinopse!

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  5. Olá, Brenda.
    Nossa quantos livros. Ainda bem que não me interessei por quase nenhum, assim eu não fico falida hehe. O que me chamou um pouco a atenção foi Terra Negra, que gosto muito do tema abordado.

    Blog Prefácio

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  6. São ótimos lançamentos, me interessei por Esta Terra Selvagem.
    Abraço!

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  7. Olá...
    Gosto muito de ficar sabendo dos lançamentos das editoras... Mas nenhum desses chamou minha atenção...
    Beijos

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  8. Não gostei muito dos lançamentos, mas acho que talvez pudesse ler Memórias por correspondência e Esta terra selvagem, que pelas sinopses, parecem ser bons.

    Abraços :)

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  9. Oi Brenda, nenhum dos lançamentos da editora chamaram minha a atenção bjs.

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